Minha Casa, Minha Cara.
17/11/2008Quando penso na casa dos meus sonhos a primeira pergunta que eu me faço é:
O QUE FAZ BEM À MINHA ALMA?
Esta questão sempre levanta outras perguntas, que também vão construindo, dentro da minha cabeça, o imaginário do meu lar ideal. O que realmente me emociona? O que me faz vibrar e sentir prazer? Que tipo de acontecimentos íntimos eu valorizo dentro da minha vida? Quais os objetos, móveis, utensílios com os quais me sinto à vontade e me identifico?
Parar e pensar sobre estas questões aparentemente tão simples, me fazem tomar consciência de mim mesmo e de tudo que eu realmente dou importância na vida. Aquilo que me aciona emocionalmente de uma maneira positiva, aqueles acontecimentos, objetos e coisas que tem maior significado para mim, terão com certeza poder para ajudar-me nesse contínuo processo de autotransformação que é a vida.
Pode ser morar em prédio histórico ou ter um espaço para desfrutar do sol, pode ser uma árvore no quintal ou quem sabe ter um espaço legal para estar sempre recebendo os amigos. Pode ser ter uma vista magnífica, mas também, aquela mesa que eu estou namorando há algum tempo e que parece fazer sentido aqui na minha sala de jantar... Pode ser tudo isso e com certeza muito mais!
O que interessa, é eu conseguir fazer o inventário completo daquilo que realmente me motiva. Dos aspectos mais gerais e conceituais, até os mais específicos e objetivos. Demoradamente, detalhadamente...
Daí para frente tudo começa a ficar mais claro. Parece que todas as coisas que importam na minha vida, saem de um território nebuloso para colocarem-se em um mapa onde consigo visualizá-las juntas. De uma só vez.
Passo a olhá-las então de uma outra perspectiva e finalmente começo a conseguir estabelecer relações criativas entre elas, percebendo que agora fazem sentido porque estão umas com as outras, bem na minha frente e fui eu que as coloquei ali.
O resto, são pequenos detalhes que vão acontecendo naturalmente de uma maneira espontânea. Cada coisa vai achando o lugar onde quer estar. Tomar decisões difíceis como escolher a cor da sala por exemplo, passa a ser um exercício quase óbvio de intuição explícita porque estará baseado no conjunto de referências que conseguimos reunir sobre nós mesmos, sobre as nossas vidas.
* "Ter estilo é criar uma narrativa pessoal que ultrapasse as fronteiras da casa."
* (Ver Leslie – Lugar-Comum - Ed. Senac)
por George Martins :: arquitetura + design ::